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A gentileza, as fractais, o pertencimento e "aquele" que sempre pisa no meu pé!

Quando se pensa no trabalho interior, é comum olhar para as grandes questões: uma separação de um casamento de uma vida inteira, a abertura de uma empresa, uma decisão crucial que pode afetar todo o nosso destino e o dos que nos cercam por um período extenso. Particularmente, tenho refletido cada vez mais sobre os meus dedos dos pés.

Existem os abençoados que nunca tiveram os dedos dos seus pés agraciados com uma pisada daquelas justamente quando já estão com o dedão doendo. Eu não sou um desses abençoados. Parece que o destino atua numa equação expressa em:

Dedão doendo + pessoas por perto = pisada no dedão!

Um evento simples, uma dor cotidiana e absolutamente corriqueira e desimportante. Mas será mesmo?

Na visão sistêmica de Bert Hellinger, um dos pilares das relações favoráveis à vida é a ordem do pertencimento, que podemos enunciar como: quem pertence a um grupo, pertence, quem não pertence, não pertence.

As ordens do amor, por via de regra, regem as relações consanguíneas. No entanto, a ordem do pertencimento tem uma implicação relevante: aqueles a quem gero dano significativo ou aqueles que geram este dano, passam a fazer parte da família, ou seja,  vítimas e agressores pertencem à família, passam a ser os “primos legítimos”, e eventualmente com força similar a de alguém nascido com o mesmo sangue.

Se nesse momento o seu dedão está perplexo e pensando que não tem, nem quer ter toda essa responsabilidade, tranquilize-o; lembre-o de que ele tem o seu lugar de pertencimento, mas de que, como todo o resto de você, convém que ele assuma suas responsabilidades para com o todo.

No trabalho de grupo com as constelações familiares, a forma como as pessoas se alinham comumente gera desenhos geométricos. Por exemplo, no equilíbrio, o triângulo formado pelos pais na base e o filho, que se volta para a vida e os grandes objetivos, na ponta; no desequilíbrio, pai e mãe que têm um dos filhos interrompendo a linha entre eles. E, numa extrapolação, a constelação familiar consegue abrigar com grande proveito um conceito da geometria chamado fractal – ou seja, uma imagem que contém uma representação de si mesma em escala menor, que, por sua vez, contém outra representação menor ainda, e assim por diante.

Cada pequena ofensa cotidiana (presta atenção, dedão) é uma oportunidade de percebermos como lidamos com a dor. E a maneira como lidamos com ela pode ser um indicativo importante da nossa forma de nos envolver com o outro. Em particular se nossa reação é intensa e desproporcional, mesmo que só interiormente – sabe aquele “não foi nada” que dizemos com o punho cerrado e com o gosto de bile subindo na garganta?

Cada um de nós tem um nervo exposto. O meu costuma ser o dedão do pé; para outros pode ser um incômodo cada vez que não recebem um bom dia de volta, ou a dificuldade de aceitar uma palavra mais dura – mesmo adequada – como apenas uma palavra mais dura. Embora sejam coisas pequenas, podem trazer em si uma tendência sistêmica, uma força que nos leva a reagir de forma desproporcional a um estímulo e, dessa forma, responder a uma reles pisada no dedão de maneira desmedida. E se pensarmos em termos fractais, isso pode ser uma imagem/comportamento pequeno que reflete outra imagem/comportamento mais profundo em nosso interior. E mais ainda: sabe aquele cara que pisou no meu dedão lá no começo da conversa? A cada desproporção com que reajo a uma pisada no pé, faço-lhe um convite para que entre na casa da minha família, tornando-se parte do meu clã. Nesse caso, pela porta da dor.

As soluções para sair dessa “dança” são várias, mas uma em particular me chama a atenção: a gentileza. Não a gentileza de quem diz obrigado ou de nada com vazio na cabeça e no coração; mas a gentileza profunda, que tem em si a percepção de que o outro estava em seu próprio caminho e apenas trombou em você, eventualmente também sofrendo no processo. A gentileza de quem, mesmo percebendo que aquele cara que usa coturno procura o seu pé para nele pisar, busca dentro de seu coração a força gentil de dizer “eu vejo você, e até hoje você pisou no meu pé quando eu podia sentir mais dor, mas agora eu deixo você para trás com sua necessidade de causar dor e passo a cuidar melhor do meu dedão”. Mesmo que para isso a gentileza tenha que se servir de palavras firmes.

E assim incluímos os atos cotidianos na construção de uma vida sistêmica.

 

Por: Sérgio Cirino

Shiatsu, Acupuntura e Constelação Familiar
São Paulo -SP

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A gentileza, as fractais, o pertencimento
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